





























Bonfim
Notas metodológicas (amostra, quantidades utilizadas)
O presente relatório, intitulado como "Cidades Internas", tem como propósito primordial analisar minuciosamente os bairros da capital baiana. Além disso, aprofundar-se nas realidades de cada bairro, identificar problemas, analisar as condições de vida e destacar os aspectos positivos e negativos que os compõem.
Para alcançar tal propósito, são utilizados diversos recursos e fontes, como os dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o software de geoprocessamento QGIS, entrevistas, fotografias, gravações, entre outras ferramentas. De acordo com o IBGE (2010), os setores censitários são as menores porções de áreas geográficas definidas para a realização do Censo Demográfico no Brasil e são utilizados para planejar, coletar e disseminar os resultados dos Censos e Pesquisas Estatísticas. Através de extensão e classificação condicionadas a Divisão Político-Administrativa vigente e a outras Estruturas Territoriais existentes, os Setores dão adequado contexto geográfico às estatísticas.
Os setores censitários são identificados por números únicos e representam em sua conjuntura uma parcela de domicílios e população do bairro, suas delimitações territoriais são criadas pelo IBGE com base em critérios específicos, como o quantitativo de domicílios e densidade populacional, para facilitar o processo de coleta e análise de dados durante o censo.
Essa divisão territorial em setores facilita a organização dos recenseadores, que são os agentes responsáveis por visitar as residências e coletar informações dos moradores durante o censo. Além disso, essa segmentação possibilita a comparação de dados socioeconômicos de diferentes regiões e grupos populacionais, auxiliando na formulação de políticas públicas, planejamento urbano, distribuição de recursos e outras atividades que requerem informações detalhadas e atualizadas sobre a população brasileira.
A intenção é proporcionar uma análise aprofundada e fundamentada em cada tópico investigado.
Neste contexto, o bairro do Bonfim é o objeto de destaque deste relatório. O Bonfim ostenta um perfil turístico, notadamente vinculado ao aspecto religioso. A Basílica do Senhor do Bonfim, uma das mais famosas da Bahia, transcende as fronteiras da religião católica e atrai turistas de diversas crenças. Além disso, a fita da Igreja do Senhor do Bonfim é reconhecida como um dos souvenires religiosos mais emblemáticos do Brasil.
A justificativa para o presente trabalho reside na relevância e na necessidade de aprofundar o conhecimento acerca da realidade do bairro do Bonfim, localizado em Salvador, Bahia, dada sua importância turística e histórica para a cidade, além deste ser um bairro densamente povoado da capital baiana. A compreensão aprofundada dessa atmosfera cultural e religiosa, por si só, não garante a preservação e valorização da identidade local, mas possibilita resgatar e preservar o patrimônio imaterial da região, bem como, a promoção e o aperfeiçoamento do turismo religioso no estado da Bahia.
O perfil turístico do Bonfim tem influência significativa na dinâmica do bairro e na vida de seus habitantes. Compreender as implicações econômicas e sociais do turismo para a comunidade local é fundamental para desenvolver políticas e iniciativas que promovam um turismo sustentável, respeitoso e benéfico para a população residente. A análise da vida cotidiana e de dados demográficos do bairro do Bonfim presente neste trabalho, permite identificar questões socioeconômicas, como infraestrutura, segurança, acesso a serviços básicos e desigualdades. Esses aspectos são essenciais para promover o desenvolvimento urbano inclusivo e sustentável[1] e a melhoria da qualidade de vida da população local.
A pesquisa detalhada sobre o Bonfim pode fornecer novos insights para a academia e enriquecer o conhecimento nas áreas de sociologia, antropologia, economia urbana, estudos religiosos e outras disciplinas relacionadas. Por fim, desejamos que o presente relatório possa servir ainda de base para futuras investigações acadêmicas e para a implementação de políticas públicas e ações diversas para melhoria da qualidade de vida dos moradores do bairro e fomento às atividades econômicas do entorno.
As festividades religiosas do bairro, especialmente a Lavagem do Senhor do Bonfim, enriquecem a atmosfera turística do local com encantos e diferentes expressões de fé, unindo o povo de santo e os devotos católicos. Contudo, este relatório visa transcender o escopo puramente festivo e turístico, adentrando as nuances mais sutis do cotidiano do bairro. Pretende-se, assim, analisar o ambiente urbano, as condições das ruas, o comércio, a segurança e a infraestrutura, considerando os aspectos para além das festividades religiosas. Através dessa abordagem aprofundada, busca-se proporcionar uma visão mais holística do Bonfim, recuperando sua história e revelando outras camadas da realidade que, por vezes, são obscurecidas pela grandiosidade das celebrações. Por meio dessa pesquisa, busca-se entender a dinâmica do bairro em questão (Bonfim), juntamente com o seu perfil populacional.
Para isso, pedimos que o Senhor do Bonfim e Oxalá nos guie.
Delimitação espacial (mapa de localização do bairro, limites, extensão)
O bairro do Bonfim está localizado na Península de Itapagipe (também denominada de Cidade Baixa), na cidade de Salvador - Bahia, como pode ser visto na Figura 01. Sua delimitação compreende o polígono que vai do início da Avenida Dendezeiros do Bonfim, no Largo de Roma, até a Avenida Beira Mar do Bonfim, via que representa os limites norte do bairro, passando por trás da Basílica do Nosso Senhor do Bonfim, e que margeia a Baía de todos os Santos.
Mapa 01 - Mapa de localização do bairro do Bonfim em função da cidade de Salvador

Fonte: Limite do bairro - Lei Municipal nº 9.278 de 2017. Elaboração própria.
Analisando-se as informações contidas no Mapa 2 é possível perceber que o bairro do Bonfim faz divisa, a Nordeste com os bairros da Ribeira e da Mangueira, a Leste com o bairro do Caminho de Areia, a Oeste com os bairros do Monte Serrat e da Boa Viagem e ao Sul com o bairro de Roma. O Mapa 3 demonstra os setores censitários do Bonfim no ano de 2010, que acabam ultrapassando sua delimitação.
Mapa 02 - Mapa do limite do bairro do Bonfim

Fonte: Limite do bairro - Lei Municipal nº 9.278 de 2017 e dados cartográficos: Prefeitura Municipal de Salvador - Base Cartográfica (2016-2017).
Elaboração própria.
Mapa 03 - Mapa dos setores censitários dentro do limite bairro do Bonfim

Fonte: Limite do bairro: Lei Municipal nº 9.278 de 2017, ortoimagens - dados cartográficos: Prefeitura Municipal de Salvador - Base Cartográfica (2016-2017) e setores censitários - IBGE (2010).
Elaboração própria.
Contexto histórico
O Bonfim é um dos bairros mais emblemáticos da cidade, conhecido principalmente por abrigar a Basílica Santuário do Senhor do Bonfim, que teve sua construção no início do século XVII, e desde então atrai inúmeros fiéis. Centro de encontro de culturas, tradições e manifestações religiosas, a igreja constitui um importante patrimônio histórico, de peregrinação religiosa e cultural da cidade.
O culto ao Senhor Bom Jesus do Bonfim tem seu marco em 1740, com a chegada do português capitão-de-mar-e-guerra, Theodósio Rodrigues de Faria, na Bahia, e que em agradecimento por uma viagem bem-sucedida, após um iminente naufrágio, teria mandado vir de Portugal uma imagem do Senhor do Bonfim, a qual prometeu abrigar no alto do outeiro no extremo norte da península itapagipana, a então denominada Colina do Bonfim (Uzêda, 1999). Segundo Uzêda (1999):
“Pela Páscoa da ressurreição do Senhor, em 18 de abril de 1745, com grande festividade, o capitão colocou à imagem para a veneração dos fiéis na “Capela de Nossa Senhora da Penha "de França de Itapagipe. Em 1746 foram iniciadas as obras na Igreja do Bonfim”. (Uzêda, 1999).
De acordo com Pereira (1993), há mais de cinco mil anos a colina que abriga a Igreja do Bonfim era uma ilha, mas a deposição de sedimentos culminou por aterrar naturalmente à região entre a Calçada e o Bonfim, formando assim toda a Península Itapagipana. Ainda de acordo com Pereira, na Enseada dos Tainheiros, parte a leste da Colina do Bonfim, o mar foi aterrado pelo homem, como é possível se observar no Mapa 04, e engloba também outras duas ilhas, a dos Ratos e a de Santa Luiza, que até a atualidade são áreas conhecidas por esses nomes apesar de não mais apresentarem a mesma conformação geográfica (Pereira, 1993).
Mapa 04 - Mapas comparativos do aterramento da Península de Itapagipe

Fonte: Jornal Atarde, 30/05/1993
Importantes representações públicas foram atraídas à Basílica, como, por exemplo, o Príncipe Regente, dois Imperadores e um Papa, conforme detalhamos a seguir. Atualmente, o bairro abriga a sede das obras Sociais Irmã Dulce, primeira Santa baiana e é um local de grande importância histórica e cultural, resultado da mistura de diferentes influências étnicas e religiosas ao longo dos séculos. Além da fé católica, a presença de praticantes de religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda, é marcante no bairro, refletindo-se nas festividades, nos terreiros e nas práticas religiosas. Outro destaque do bairro do Bonfim é a culinária que se diversifica com alguns restaurantes de pratos típicos da Bahia, além de vários tabuleiros de baianas, com seus quitutes, que são apreciados por moradores e turistas.
No dia 02 de fevereiro de 1826, o Imperador Dom Pedro I chega à cidade de Salvador com a maior comitiva já organizada pela sua corte e acompanhado de sua esposa, a Imperatriz Leopoldina, sua filha primogênita, Maria da Glória, e de sua amante Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, o que provocou comentários depreciativos e grande espanto da população da cidade. Nos vinte e dois dias que estiveram na Bahia, Pedro I, Leopoldina, Maria da Glória e Domitila visitaram diversos locais de Salvador (logradouros, fortalezas, hospitais, fábricas, igrejas, conventos, monastérios e órgãos públicos), tudo registrado no diário da viagem. Na Península Itapagipana oraram nos templos do Bonfim e de Monteserrat, além de visitarem os arredores e as fazendas localizadas na região (Reaiche, 2022).
Seu pai, o então príncipe Regente de Portugal, quando da sua chegada ao Brasil, em 1808, antes de se instalar na cidade do Rio de Janeiro, teria passado um período na cidade de Salvador, e, segundo consta nos diários de seu neto, Pedro II, o Príncipe Regente teria passado longas tardes em uma residência no caminho da Boa Vista, que, segundo ele, ficava entre o Bonfim e o Monte serrat. A casa de então já não existe desde a visita de Pedro II à Bahia, no século XIX.
No ano de 1859, o bairro recebeu a visita do filho de Pedro I, neto de D. João VI, o então Imperador do Brasil, D. Pedro II, que teria se encantado com o caminho de acesso ao Bonfim, a então avenida do Dendezeiros do Bonfim com a Igreja, na qual teria passado algumas horas admirando as obras dos artistas baianos que ornavam o teto e as paredes do templo, bem como, os detalhes em ouro do altar, segundo consta nos registros de seus diários.
Pouco depois das 6 da manhã saímos para o Bonfim; o caminho já é muito bonito, tendo belas casas e jardins, e antes de lá chegar passa-se o Dendezeiro, bela alameda de palmeiras dendês. Da igreja, colocada sobre um teso, para o qual conduz uma bem lançada calçada, goza-se de vista soberba. Não me souberam dizer a data da construção da igreja, porque os livros da irmandade desse tempo não aparecem, segundo ouvi ao provedor atual, Wanderley, porém foi reedificada ou fizeram-se-lhe obras importantes já neste século, havendo principiando por uma capelinha [...] (Bediaga, 1999).
Ainda segundo o diário do Imperador, o mesmo teria deixado a Imperatriz Tereza Cristina a assistir à missa enquanto conhecia o restante do bairro, visitando o lazareto, onde relatou não ter visto mais nenhum doente, porém ainda alguns profissionais de saúde que cuidavam do local e aguardavam novas emergências.
Cabe aqui destacar, que o Imperador teria se referido ao abrigo de recolhimento de enfermos, futuro Hospital Couto Maia, que nesse período, funcionava em duas pequenas casas arrendadas pelo Governo do Estado, chamadas de casa do alto e casa da baixa do Monte Serrat, para atender aos doentes atingidos pela febre amarela que chegavam nos navios mercantes que localizavam-se na Ponta de Humaitá em frente à Igreja do Monte Serrat, de onde eram conduzidos para este espaço, no alto da Colina. Em razão das características do local, naquela época desabitado, ventilado, alto, próximo ao mar e com plantações, o Presidente da Província João Maurício Wanderlei, em abril de 1853, fundou o Hospital de Isolamento no Alto do Monte Serrat (Instituto Couto Maia, 2023). Desta forma, os escravos transportavam os pacientes em padiolas, por esses caminhos difíceis e cheios de buracos, do Farol até o Hospital, onde eram tratados, alimentados e curados. Trinta dias após a saída do último doente internado, o isolamento fechava-se e só reabriria quando houvesse nova necessidade. A Hospedaria do Monte Serrat atendeu ainda os surtos de cólera e varíola que atingiram a cidade, no final do século XIX, bem como acolheu pacientes do surto de peste bubônica e da epidemia de gripe espanhola, no início do século XX, tornando-se assim uma referência nacional no tratamento de doenças infecto contagiosas. Em 1926, um complexo com cinco novos prédios é inaugurado no local, sendo chamado de Hospital de Isolamento do Monte Serrat e, dez anos depois, de Hospital Couto Maia.
Em seguida o Imperador relata ter visitado o forte de Monte Serrat, local também abandonado à época, segundo observações do imperador, mas de grande beleza e de onde se podia ter uma bela vista da Baía de Todos os Santos. Do Forte, o Imperador parte para a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, a qual descreve como uma capelinha de grande encanto, com muitas pinturas, um belo altar-mor e retábulos dourados.
Segui para o convento e capela de Monserrate na ponta de terra e de caminho examinei duas das casas alugadas para hospital e que se comunicam entre si, vendo só de fora a maior, isolada, que foi cedida à estrada de ferro, para aí se recolherem os trabalhadores atacados de febre amarela. (Bediaga, 1999)
D. Pedro relata ainda ter visitado uma grande fundição que funcionava nos arredores do bairro àquela época, a Cameron e Smith, e termina a visita retornando à igreja do Bonfim,
Voltei ao Bonfim pelo caminho da Boa Viagem e vi a boa casa do feitor demitido da alfândega, Gravatá 301. Esse caminho é muito pitoresco e logo que cheguei ao Bonfim voltei para a cidade. Indo de Bonfim para Monserrate deixa-se, à direita, a Boa Vista onde meu avô gostava de passar as tardes. A casa de então já não existe. Antes de chegar à altura do forte de Jequitaia teve o carro de parar porque o vigário da Rua do Paço, apoiado numa mulata velha de turbante, quis-me todo trêmulo beijar-me a mão; trajava batina com as comendas do Cristo e do Cruzeiro. (Bediaga, 1999).
Segundo Passarelli (2019), no dia 20 de outubro de 1991, em sua segunda visita ao Brasil, o Papa João Paulo II muda toda sua programação para oferecer uma benção especial a Irmã Dulce e, acompanhado pelo então arcebispo primaz do Brasil dom Lucas Moreira Neves, entrou no quarto transformado em UTI apertando a mão da religiosa já convalescente, mais magra do que nunca, dando-lhe a bênção apostólica e, antes de ir embora, virou-se para o arcebispo e lhe disse uma frase de resignação, "Este é o sofrimento do inocente. Igual àquele de Jesus". João Paulo que já teria vindo a Bahia, no ano de 1980, e encontrado Irmã Dulce na missa campal realizada no Centro Administrativo da Bahia, também já teria passado pelo bairro do Bonfim, utilizando a Avenida Dendezeiros onde muitos baianos assistem, sob forte emoção, a passagem do pontífice pela cidade. Mas só em 1991, o Santo Papa conheceu as Obras Sociais, fundada e mantida pela Freira. Após a visita à Irmã Dulce, o Papa João Paulo II visita a Basílica e reza aos pés do Senhor do Bonfim, presenteando a Devoção com um cálice de prata dourada[1].
As Obras Sociais Irmã Dulce, com o seu Hospital Santo Antônio, o Memorial e o Santuário Santa Dulce dos Pobres, onde está localizado o túmulo da Santa, guardam a entrada da principal via de acesso ao bairro, a Avenida Dendezeiros, descrita pelo Imperador D. Pedro II como o caminho encantador de acesso à Igreja do Bonfim e por onde passou o Papa João Paulo II. A via, que mede precisos 1.000 metros, vai do Memorial de Santa Dulce, passando pelo Hospital Santo Antônio, como dito, parte das obras sociais da Santa, e ainda pelo colégio da Polícia Militar, Clube dos Oficiais da PM e de uma das principais unidades do Senai na Bahia, o Senai Dendezeiros, terminando aos pés da Colina.
A avenida tem esse nome devido ao fato de que, na sua origem, o local era cercado por Dendezeiros, conforme mostra a Figura 01, que se estendiam em grandes plantações entre o Bonfim e o Caminho de Areia. Essa palmeira produz o fruto do dendê, utilizado na culinária baiana e na produção de óleo de dendê. Historicamente, a Avenida Dendezeiros esteve envolvida em importantes momentos da história de Salvador. Durante o período colonial, a avenida era rota para o transporte do óleo de dendê produzido nas fazendas da região, que era levado até o porto para ser exportado.
Figura 01 - Avenida Dendezeiros do Bonfim em 1860

Fonte: História de Salvador
Atualmente, a Avenida Dendezeiros é uma via movimentada, com intenso fluxo de veículos e pedestres. Ela abriga, além das Instituições importantes já citadas, também uma variedade de estabelecimentos comerciais, como lojas, restaurantes, bares e comércios locais. Além disso, a avenida é conhecida por ser o final do percurso da procissão da Lavagem do Bonfim, onde muitos moradores se reúnem para assistir a passagem do cortejo e das personalidades presentes no evento.
Em uma transversal da Avenida dos Dendezeiros do Bonfim, funciona a lanchonete Geraldo Fonseca, conhecida como lanchonete do Gel, que começou na década de 1980 vendendo batata frita e sorvete em uma portinha na casa da família. Com o tempo, expandiu seu cardápio e se tornou famosa pelo sonho. Localizada na Rua dos Expedicionários, nº 4, a lanchonete ganhou popularidade devido à proximidade com o Colégio da Polícia Militar (CPM). Muitos alunos da escola escolhiam os lanches do Gel, o que contribuiu para sua reputação. É dito pelos moradores do local e pelos estudantes do Colégio da Polícia Militar que "quem não comeu na Geo não estudou na CPM".
Outra importante via do bairro do Bonfim é a Rua da Imperatriz, que é também uma via histórica que remonta ao período imperial do Brasil e que está intrinsecamente ligada à figura da Imperatriz Teresa Cristina, esposa do Imperador Dom Pedro II, pois segundo relatos de diversos moradores, teria recebido esse nome por conta da passagem da Imperatriz, quando da sua visita ao Bairro. Não se sabe ao certo quando a rua recebeu esse nome, mas diversos historiadores concordam com o fato de que a escolha do nome seria uma referência à figura de Teresa Cristina, apesar da Imperatriz Leopoldina, esposa de Pedro I, também ter passado pelo bairro.
Figura 02 - Baixa do Bonfim, aproximadamente final do século XIX.

Fonte: História de Salvador
Na figura 02, uma fotografia do final do século XIX, onde reina imponente à direita o Solar Marback, aos pés da Colina Sagrada, guardando o acesso a Ladeira do Bonfim, e onde também vemos passar o bonde, é possível perceber a Rua da Imperatriz ao centro, estendendo-se verticalmente no quadro, ladeada por algumas poucas casas e árvores, bem diferente do que podemos conferir hoje.
A Rua da Imperatriz possui um charme histórico, com construções que datam do século XIX e início do século XX, com alguns casarões preservados, em meio a construções da década de 1950 e de novas construções bem mais recentes. Ao longo dos anos, a rua foi palco de diversas transformações urbanas e mudanças em sua configuração, mas ainda mantém sua importância histórica e arquitetônica. Atualmente, a Rua da Imperatriz faz parte do conjunto de ruas que compõem o entorno da Basílica do Senhor do Bonfim e a proximidade com a basílica e o Largo do Bonfim contribui para a atmosfera cultural e religiosa que permeia a região.
Além disso, a Rua da Imperatriz está inserida em um contexto urbano diversificado, com comércios, residências e espaços culturais. É possível encontrar restaurantes, lojas de artigos religiosos, estabelecimentos comerciais e casarões antigos ao longo desta rua. A história da Rua da Imperatriz e sua localização privilegiada no bairro do Bonfim fazem dela um local de interesse histórico e cultural para moradores e visitantes. A rua testemunhou importantes momentos da história da cidade e continua a ser um ponto de referência na região, enriquecendo o patrimônio histórico e arquitetônico do bairro do Bonfim em Salvador.
Apesar de sua importância cultural e histórica, o bairro do Bonfim enfrenta diversos desafios urbanos. A falta de infraestrutura adequada, como saneamento básico, pavimentação de ruas e iluminação pública, é uma questão recorrente, afetando a qualidade de vida dos moradores. Além disso, o Bonfim também enfrenta desafios relacionados à segurança pública, com altos índices de criminalidade em algumas áreas do bairro. A desigualdade social é outro desafio presente, com disparidades socioeconômicas evidentes entre diferentes regiões do Bonfim.
A preservação do patrimônio histórico do bairro também é uma preocupação. Embora a Basílica do Senhor do Bonfim seja um marco icônico e esteja bem conservada, outros imóveis históricos no entorno podem estar em estado precário de conservação. A falta de políticas de preservação e reabilitação pode resultar na perda de elementos importantes da identidade histórica do bairro.
Apesar dos desafios enfrentados, algumas iniciativas têm sido implementadas visando a melhoria do bairro do Bonfim. Projetos de revitalização urbana, como por exemplo a construção do roteiro de turismo religioso chamado pela prefeitura Municipal de Salvador de “Caminho da Fé”, requalificou toda a avenida Dendezeiros, que liga o Santuário de Dulce dos Pobres à igreja do Bonfim, sendo considerado pela prefeitura um "corredor" de forte apelo turístico e religioso. Essa e várias outras propostas para melhorar a infraestrutura, tem buscado promover a segurança e a preservação do patrimônio histórico do bairro.
A construção da Igreja do Senhor do Bonfim
A escolha do local para a construção da igreja do Senhor do Bonfim levou em consideração sua beleza e composição topográfica, pois a igreja foi construída no topo de uma colina, visível de longe no mapa da cidade. Essa escolha também foi influenciada pela crença da época na levitação como elemento facilitador da comunicação entre Deus e os humanos. As obras da igreja foram iniciadas entre 1745 e 1754, seguindo o estilo arquitetônico das igrejas portuguesas dos séculos XVIII e XIX. Em 24 de junho de 1754, durante a festa de São João Batista, a imagem do Senhor do Bonfim foi levada em um cortejo solene da Igreja da Penha até o Morro do Bonfim. “A construção da igreja foi possível graças à doação do terreno pela Irmandade Devoção do Senhor do Bonfim e aos recursos obtidos por meio de dízimos arrecadados da comunidade local, composta por caçadores, negros livres, brancos, pequenos comerciantes e outros habitantes da região de Itapagipe” (Coutos, Reis e Moura, s.d.).
Figura 03 - Igreja do Bonfim, final do Século XVIII

Fonte: Fundação Gregório de Mattos. 2008
A construção de vias de acesso até a Igreja do Bonfim;
Segundo Couto, Reis e Moura (s,d.), em 1798, a Irmandade Devoção do Senhor do Bonfim construiu a Avenida Dendezeiros, uma estrada que atravessava um pântano e era drenada com o uso de dendezeiros, árvores capazes de drenar terrenos pantanosos. A Irmandade do Aço desempenhou um papel importante no desenvolvimento da península, sendo creditada com a construção das estradas para a Igreja do Bonfim. A Estrada do Bonfim, hoje conhecida como Avenida Dendezeiros, foi aberta para facilitar o acesso à igreja, e outras estradas, como a Barão de Cotegipe e Fernandes da Cunha, foram construídas em direção à calçada. Além disso, a Irmandade construiu o Cais das Amarras e a Ladeira da Lenha ao redor da igreja. Em 1810, a ponte de pedra, atualmente conhecida como Ladeira do Bonfim, foi construída para facilitar a chegada dos peregrinos. Em 1849, foram concluídas as "Casas dos Romeiros", casas para abrigar os peregrinos em volta da igreja.
No adro da igreja, em 1849, foram construídas casas para abrigar peregrinos que vinham participar dos ritos durante a Festa do Senhor do Bonfim. Essas casas eram necessárias devido às restrições de transporte na época. Em 1863, foi inaugurado o chafariz da praça e o adro, com as pedras da construção lançadas em 1865.
Um monumento foi instalado em 1863, financiado pelas esmolas da congregação, representando Jesus Cristo abraçado à cruz, segurando uma corrente quebrada e apontando o dedo indicador para o céu.
Conforme a construção avançava, o templo e sua área circundante passaram por transformações significativas. Foram adicionados o Edifício do Tesouro, a Sala dos Milagres, o arco, as portas laterais e os pórticos. Torreões com pontas em forma de bolbo, cobertos de azulejos amarelos, foram incluídos, conferindo uma nova aparência e expandindo a estrutura arquitetônica do templo.
Solar Marback
O Solar Marback está situado no sopé da encosta que leva ao Morro do Bonfim. Construído no século XVIII, o local era praticamente deserto na época, com a proximidade da Igreja do Senhor do Bonfim. A casa azul de três andares possui duas galerias laterais envidraçadas e uma ampla escadaria exterior que leva ao piso principal. Além disso, conta com extensos jardins laterais, embora não tenha gramado frontal. No rés-do-chão, a área atualmente usada como garagem era uma galeria para distribuição de serviços.
De acordo com documentos de 1828, a propriedade foi originalmente construída por Luiz da Penha França, sendo posteriormente vendida para o Coronel Francisco Maria Sodré Pereira. Em 1841, o inglês Henry Samuel Marback adquiriu o imóvel em um leilão. Após a morte de Henrique, seu filho Samuel Augusto Marback encarregou-se da reconstrução do palácio.[1]
Caminhos dos Bondes
A primeira linha de bonde da cidade foi inaugurada em 1866, ligando Coqueiros de Água de Meninos à baixada do Bonfim. Operada pela concessionária de Rafael Arriani, a linha era puxada por burros. Em 1869, a empresa Econômico assumiu o controle da linha e a estendeu até a Penha.
Figura 04 - Bonde de burro, Século XIX

Fonte: Santos (2011:63)
Durante o período de 1910 a 1960, a frota de bondes elétricos teve um aumento significativo. No entanto, o aumento da frota não foi suficiente para atender adequadamente aos usuários durante a Festa do Bonfim. Os bondes, quando estacionados nas estações, criavam obstáculos e, quando lotados, tornavam-se incômodos e barulhentos devido à aglomeração e à alta voz dos passageiros. Algumas disputas surgiam entre motoristas e passageiros.
A Companhia Municipal de Transportes, assim como a Trilhos Centrais, também operava uma frota de bondes elétricos, porém em menor escala. Durante a Festa do Senhor do Bonfim, o número de passageiros triplicou em comparação com outros períodos. Embora os bondes da Companhia Municipal estivessem em melhores condições de manutenção, não conseguiram atender plenamente à demanda devido ao grande aumento de passageiros durante as festividades.(Nunes Neto, 2014)
2.1.6 Arquitetura do bairro
Nos séculos XVIII e XIX, a Península de Itapagipe começou a ser efetivamente ocupada, e foi nesse período que o santuário do Bonfim foi fundado, iniciando a concepção mítica da Colina Sagrada. A região, originalmente habitada por indígenas, foi fortificada como parte do sistema defensivo da cidade, incluindo o Forte de Monte Serrat. Templos e casas de pescadores surgiram na área, inicialmente ligados à fé e à missão católica, mas ao longo do tempo, incorporaram um sincretismo religioso entre o catolicismo e as tradições yorubá, característico da cultura baiana. (Lissonger, 2002)
Lissonger (2002), observa que a escolha definitiva do local para a construção do Templo do Senhor do Bonfim ocorreu por volta de 1750. O templo parecia ter sido construído para servir como matriz de catequese para a aldeia indígena de Itapagipe ou facilitar a comunicação com aldeias do interior. A ampla praça ao redor do templo, cercada por casas, seguia o padrão das igrejas dedicadas à catequese e lembrava os assentamentos aborígines anteriores.
Inicialmente, a península era acessível apenas por barco, já que não havia conexão terrestre. Com o tempo, peregrinos começaram a chegar à Península de Itapagipe, mesmo sem passar por Jiquitaia. No entanto, os mais pobres sempre encontravam um meio de chegar lá, enquanto os ricos tinham a opção de usar barcos.
A Irmandade do Aço desempenhou um papel importante no desenvolvimento da península e é creditada com a construção das estradas para a Igreja do Bonfim. Anteriormente, a única forma de chegar ao Bonfim era por mar, então eles decidiram abrir a Estrada do Bonfim, que atualmente é chamada de Avenida Dendezeiros, conectando o Largo de Roma ao Bonfim. (Lissonger, 2002)
Além da estrada, a Irmandade também construiu o Cais das Amarras e a Ladeira da Lenha próximos à igreja. As obras continuaram com a abertura de outras estradas, como a Barão de Cotegipe e Fernandes da Cunha, que seguem em direção à Calçada. A Irmandade também foi responsável pela construção de casas para peregrinos ao redor da igreja, proporcionando abrigo para aqueles que visitam o Santuário do Senhor do Bonfim.
Arquitetura da Igreja do Bonfim
Apesar de não apresentar uma arquitetura luxuosa, a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim segue o estilo neoclássico, com uma fachada em estilo rococó, de acordo com o padrão das igrejas portuguesas dos séculos XVIII e XIX. O destaque da igreja são os belos afrescos e azulejos que adornam seu interior, além da intensa devoção que atrai centenas de fiéis todos os dias.
Silva (2016) observa que a Igreja do Senhor do Bonfim segue os padrões arquitetónicos das igrejas portuguesas, especialmente o modelo da Igreja de Setúbal, projetado pelo arquiteto Manuel Roiz João Pedro em 1689. Após sua construção, a igreja tornou-se parte da diocese de Santo Antônio Além do Carmo, juntamente com a igreja da Penha e outras na Cidade Baixa.
No século XVII, surgiu uma solução mais avançada para as igrejas baianas, com a inclusão de um pórtico ou varanda com arcadas, sobrepostas por tribunas laterais à nave da igreja. Essas igrejas representam uma transição para as igrejas de nave única com corredores laterais e tribunas, construídas na primeira metade do século XVIII. Essas varandas laterais também são encontradas na Igreja Senhor do Bonfim, servindo como abrigo para os peregrinos durante as peregrinações.
O Santuário do Senhor do Bonfim foi construído no século XVIII, com uma arquitetura neoclássica e fachada em estilo rococó, seguindo o padrão das igrejas portuguesas do final do século XVII. A igreja possui uma entrada principal com uma porta central e janelas retas, e seu interior possui um pé-direito baixo. Inicialmente, era uma igreja de nave única, com capela-mor, sacristia do lado do Evangelho e sacristia dos milagres do lado da epístola. (Lissonger, 2002)
Ao longo dos anos, o santuário passou por várias reformas, incluindo a adição de duas portas laterais à entrada principal em 1804-1805. A fachada principal da Basílica é parcialmente revestida com azulejos brancos portugueses datados de 1873, conhecidos como azulejos pombalinos. Esses azulejos contrastam com as pedras de arenito baiano que cobrem os cunhais e portais.
A Basílica possui uma praça em seu entorno, onde está localizado um chafariz de mármore branco vindo da Itália, datado de 1864-6534. A praça também abriga uma estátua de Cristo esculpida em mármore Carrara. A Capela do Bonfim adquiriu características de Santuário de Peregrinação e, segundo relatos, tinha a função de abrigar os romeiros que buscavam a proteção do Senhor do Bonfim. (Couto, Reis e Moura)
Figura 05 - Projeções horizontais da igreja mostrando as modificações que ocorreram ao longo do tempo

Planta 01- Capela do Senhor do Bonfim. Croqui sem escala, tendo como base o levantamento do IPAC /S/C (Bahia, 1984)

Planta 02 - O novo projeto para a igreja, com os alpendres laterais depois da construção das torres. Base utilizada no levantamento do IPAC/SIC. (Bahia, 1986)

Planta 03 - Planta da igreja após o fechamento das varandas laterais.
Fonte: Bahia/IPAC, 1979.
Ao longo dos anos, a Igreja do Senhor do Bonfim passou por diversas reformas. A primeira modificação ocorreu aproximadamente 60 anos após a inauguração, quando o adro e o chafariz na praça foram abertos, além da adição de portas e uma muralha em torno da igreja. Em 1772, as torres da igreja foram concluídas. Inicialmente, a fachada principal possuía apenas uma porta, mas em 1804 foram abertas mais duas portas. (Coutos, Reis e Moura)
Entre 1814 e 1821, Antônio Joaquim dos Santos executou um retábulo em estilo neoclássico para o altar-mor da igreja. Em 1816, durante um restauro geral, um nicho foi aberto no frontão para abrigar uma cruz de pedra. Também foram adicionadas duas portas interiores sob os altares laterais e foi colocado um piso de pedra na capela-mor.
Em 1849, uma das torres foi reconstruída. Em 1873, azulejos portugueses foram adicionados à fachada até uma certa altura. Posteriormente, em 1896, uma nova torre foi reconstruída do lado da missão.
Em 1863, o adro foi cercado com uma balaustrada de grande porte, doada pelo Comendador José Pinto Rodríguez da Costa. Uma placa de bronze no portal principal registra a doação: "...pelo ex-juiz J. de 1863". O corrimão da balaustrada foi feito pelo serralheiro Feliciano José Torres.
Carvalho (1915) relata que, no início, era um ambiente com proporções de templo para a época. A fachada da capela era muito alta e caiada, de dia refletia o sol, e à noite, um templo solitário, mas que impunha respeito quando fitado. As torres da capella foram feitas posteriormente ao edifício, porquanto este recebendo a imagem em 1754, só teve a conclusão das torres no ano de 1772. (Carvalho, 1915, apud Silva, 2016, p. 28).
“Carvalho (1915) afirmou que as torres da igreja foram atingidas por raios duas vezes, sendo que, na segunda vez, a ação de um raio derrubou por completo a do lado direito, o que fez com que se colocassem para-raio na fachada e no cruzeiro da capela, como medida de prevenção (CARVALHO, 1915, p. 8).” (CARVALHO, 1915, p. 8 apud Silva ,2016 p.28)”.
Figura 06 - Panorâmica da Colina Sagrada e da igreja do Senhor do Bonfim no ano 1905

Fonte: Almeida. Bahia, 1910
O interior da Igreja do Bonfim
A Sala dos Milagres, localizada à direita da nave central ou na saída da nave lateral, servia como refúgio para peregrinos e fiéis que vinham de diferentes lugares para cumprir promessas e obrigações religiosas. Há três opções de acesso: uma porta no início do corredor, que anteriormente servia como abrigo; uma segunda porta após entrar na nave central, do lado direito; e uma terceira ao lado do batistério. A Câmara dos Milagres ocupava o térreo e o primeiro andar da igreja.[1]
Em janeiro de 1975, no andar de cima do templo, o Museu dos Ex-votos foi inaugurado como uma extensão da Sala dos Milagres. O museu expõe quadros, fotografias e imagens que retratam momentos da vida dos fiéis, apresentando um patrimônio que reflete mais a dimensão da fé do que a artística. Destacam-se objetos feitos de ouro, prata, madeira e gesso.
Gabinete de Curiosidades
No século XIX, o mouseion, local que abrigava diversas coleções, era conhecido como "gabinete de curiosidades". Essa denominação refletia sua função como espaço destinado a reunir as coleções de nobres, colecionadores, estudiosos e outros interessados. (Silva, 2015)
Retábulo do Bonfim
A base do altar é composta por pilares retangulares com elementos ornamentais simples enquadrados por filetes retangulares. A mesa do altar possui uma forma trapezoidal e é decorada com um ornamento de rosas centradas em ramos e folhas.
O teto da Basílica
A pintura realizada por Antônio Joaquim Franco Velasco é considerada sua obra mais notável. Ela ocupa todo o forro em forma de abóbada, com cantos arredondados, cobrindo uma área de cerca de 203,59 m². (Silva, 2015)
A azulejaria
A estética da Basílica do Bonfim é enriquecida pela presença da azulejaria, uma forma de arte portuguesa de grande importância. A tradição de representar narrativas e histórias por meio dos azulejos, característica do século XIX, é uma parte significativa da estética do Santuário. Nas paredes laterais do nártex, podem ser encontrados azulejos emoldurados por estuque branco e frisos entalhados, criando uma decoração decorativa e narrativa marcante. A azulejaria adiciona um elemento visualmente impactante e contribui para a riqueza estética do local. (Silva, 2015)
Combinação de cores
“Capela mor, os seis retábulos transversais no corpo da igreja, dois púlpitos, todas as tribunas e grades do coro da cor branco e ouro.” (Ott, 1979, apud Freire, 2006, 149-151).
De acordo com a obra de Freire (2006), a estética oitocentista era caracterizada pela predominância das cores branco e ouro. Essa combinação de cores se estende até o piso, que costuma ser branco, a fim de ampliar a luminosidade natural proporcionada pelas amplas portas e janelas das naves laterais. Essa escolha estética busca criar um ambiente luminoso e grandioso, destacando a importância da iluminação natural e proporcionando uma atmosfera acolhedora e majestosa aos visitantes.
As casas dos romeiros
No Largo da Igreja do Senhor do Bonfim, os peregrinos que percorriam longas distâncias para participar dos ritos litúrgicos encontravam abrigo. Esses fiéis desempenharam um papel fundamental na disseminação da devoção ao Senhor do Bonfim, compartilhando os milagres alcançados por meio da fé. Ao lado noroeste da Basílica, foram construídas as casas dos romeiros logo após o início das obras da capela. No final do século XIX, foram adicionados gradis e instalados três velários de metal na área externa da igreja. (Pita, 2019)
De acordo com Carvalho Filho, as casas dos romeiros foram construídas em número de dez, possivelmente em 1754, antes das anotações do tesoureiro Francisco Dias Coelho em 1768, que registrava os gastos relacionados a essas casas. No lado nordeste da Basílica, localiza-se a parte traseira da igreja, onde há apenas janelas e uma vista das torres sineiras. Essas descrições e perspectivas espaciais estabelecem uma comunicação clara e definida, preservando a identidade tanto do exterior quanto do interior da basílica.
Atualmente, as antigas casas dos romeiros foram transformadas em pequenas lojas que vendem objetos religiosos, sendo muito procuradas por turistas em busca de lembranças da capital baiana e do Senhor do Bonfim. Outras casas foram convertidas em restaurantes, também frequentados por visitantes da Basílica. As tradicionais fitinhas continuam sendo uma parte essencial do cotidiano da igreja e ocupam todo o gradil de maneira intensa. Embora sejam retiradas periodicamente para serem queimadas, o gradil é constantemente preenchido com novas fitinhas, colocadas pelos visitantes e fiéis.
Figura 07 - Casa dos Romeiros

Fonte: Santuário Senhor do Bonfim, 2019 - Casa dos Romeiros
Figura 08 - Imagem tridimensional do bairro do Bonfim.

Fonte: Dados cartográficos: Prefeitura Municipal de Salvador - Base Cartográfica (2016-2017).
Elaboração própria.




















































Aspectos Ambientais
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Aspectos sociodemográficos: População e domicílio (apenas tabelas)
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Aspectos econômicos (turismo, comércio e serviços, condições de centralidade, etc.)
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Espaços de representatividade (ongs, associações, representações diversas...)
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Mobilidade urbana (sistema viário, linhas de ônibus, caminhabilidade etc.)
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Infraestrutura social (educação, saúde, segurança púbica, esporte, lazer e habitação)
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Patrimônio Histórico Cultural
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Percepção dos moradores (gráficos da pesquisa de campo)
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Referências
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